As transmissões de jogos ao vivo estiveram hoje entre as buscas mais populares do Google na Arábia Saudita, com partidas da Premier League e da Serie A em campo. O risco para a sua empresa não é o jogo; é o site gratuito que um funcionário abre no notebook do trabalho para assisti-lo. Em dezembro de 2024 a Microsoft rastreou uma campanha que começou em sites de streaming ilegais, atingiu quase um milhão de dispositivos no mundo e roubou senhas salvas no navegador, além de arquivos das pastas Documentos e OneDrive. A solução é barata: uma política clara, bloquear esses sites na rede da empresa e um login em duas etapas resistente a phishing nas contas que importam.

O que acontece quando alguém abre um site de streaming grátis?

Sites de streaming sem licença vivem de publicidade, e boa parte dessa publicidade vem de redes que não verificam o que veiculam. A Microsoft descreveu a cadeia que observou: o site carrega redirecionadores de publicidade maliciosa que levam o visitante por vários sites intermediários até um arquivo de aparência inocente hospedado no GitHub. Ao ser executado, ele instala um ladrão de informações como o Lumma e uma ferramenta de acesso remoto chamada NetSupport.

  • Primeiro alvo: senhas e cookies salvos no Chrome, no Edge e no Firefox.
  • Segundo alvo: arquivos das pastas OneDrive, Documentos e Downloads.
  • Terceiro alvo: dados da própria máquina, para avaliar quanto ela vale para revenda ou outros abusos.

Em um dispositivo pessoal, é uma perda para o dono. Em um equipamento de trabalho conectado ao e-mail, ao sistema contábil e ao internet banking, é uma porta aberta para a empresa inteira.

Qual é o tamanho real do risco?

Um estudo do pesquisador Paul Watters, encomendado pela coalizão antipirataria ACE e publicado em 23 de julho de 2025, examinou sites piratas em 5 países do Sudeste Asiático. Ele concluiu que os usuários desses sites têm até 65 vezes mais chance de serem infectados por malware do que em sites legítimos, e que o risco de ameaça cibernética neles é mais de 22 vezes maior. O estudo foi financiado por uma parte interessada, então lemos o número como uma tendência, não como uma medição precisa, mas o incidente da Microsoft confirma a mesma tendência a partir de uma fonte independente.

Na Arábia Saudita o assunto não é só técnico: a Autoridade Saudita de Propriedade Intelectual (SAIP) bloqueou mais de 7.900 sites e removeu mais de 22.900 conteúdos infratores em 2024, segundo a Agência de Notícias Saudita. Parte desses sites já está bloqueada, mas muitos reaparecem com novos domínios toda semana, e é exatamente por isso que listas de bloqueio manuais não bastam.

Por que uma senha roubada é pior que o próprio vírus?

Malware que apaga ou criptografa dados se revela rápido. Um ladrão de informações trabalha em silêncio: pega o que quer e vai embora, e o estrago pode aparecer semanas depois, quando alguém entra no e-mail do seu contador e envia uma fatura com outra conta bancária. Cookies roubados significam que um invasor pode reutilizar uma sessão já aberta sem precisar da senha, e por isso a Microsoft recomenda métodos de dois fatores resistentes a phishing, como chaves FIDO, em vez de apenas SMS.

Cinco passos para a sua empresa antes dos jogos do próximo fim de semana

  1. Escreva a política em uma frase: equipamentos de trabalho não são usados para sites de streaming sem licença; o streaming oficial por aplicativos licenciados é permitido na rede de visitantes.
  2. Bloqueie no nível da rede: use um serviço de DNS que filtre as categorias de pirataria e malware, pois ele se atualiza sozinho conforme surgem novos domínios.
  3. Ative a proteção web do navegador: a Microsoft recomenda ativar o SmartScreen no Edge e a Proteção de Rede no Defender, e bloquear executáveis e scripts ofuscados vindos de downloads.
  4. Pare de salvar senhas do trabalho no navegador: use um gerenciador de senhas corporativo, porque o navegador é a primeira coisa que um ladrão de informações esvazia.
  5. Ative o login em duas etapas resistente a phishing: comece pelo e-mail, pelo internet banking e pela contabilidade, as contas que os invasores procuram primeiro.

A visão da Origami

Não vemos isso como um problema de disciplina. O funcionário que abre o jogo no notebook do trabalho não tem má intenção e geralmente não sabe que o site gratuito se paga com anúncios envenenados. Por isso a primeira solução é conscientização e uma alternativa legítima, não punição.

Em pequenas e médias empresas também vemos o notebook do trabalho ir para casa com o funcionário e se conectar a uma rede doméstica sem nenhuma proteção. Filtrar a rede do escritório, portanto, não basta: a proteção precisa estar no próprio dispositivo, e nas contas antes dos dispositivos.

Conclusão

Os jogos da temporada chegam toda semana, e os sites de streaming grátis também. Uma hora de trabalho nesta semana basta para escrever uma política de uma linha, ligar a filtragem DNS e a proteção do navegador e ativar o login em duas etapas nas contas financeiras. Se suspeitar que um equipamento está infectado, troque as senhas das contas dele a partir de outro dispositivo e encerre todas as sessões abertas antes de qualquer outra coisa. Para o outro lado da história, como as plataformas de streaming protegem seu conteúdo, leia Antipirataria e DRM para streaming esportivo ao vivo, e se precisar de ajuda para proteger os equipamentos da sua empresa, fale conosco.

Fontes